29 de janeiro de 2017

The virtue of selfishness

"I'm bad, and that's good. I will never be good, and that's not bad. There's no one I'd rather be than me", Detona Ralph.

As vezes a gente para pra pensar sobre algumas coisas de nossas próprias vidas e nos perguntamos: "será que somos bons com as outras pessoas?" ou "será que somos confiáveis?" e isso tede a ficar martelando a cada vez que você se encontra em uma situação em que você precisa tomar uma decisão difícil.

As vezes só o que temos para poder decidir algo é nossa própria consciência, e nesse ponto se não estamos bem conosco, isso só tende a obscurecer nossa capacidade de julgamento.

Veja bem que falei de consciência, e por consciência digo saber quem nós somos e o que queremos dessa experiência de vida. E isso quer dizer decepcionar pessoas pelo caminho, pois nem todos enxergamos a vida pela mesma ótica e nem esperamos as mesmas coisas dessa experiência.

Por isso, as vezes as pessoas podem nos enxergar como pessoas más, as vezes até nós podemos nos ver assim, mas se isso é uma coisa que nós somos, é essa coisa realmente ruim?

Penso sempre que o mais importante nessa vida é ter constância na forma com que vivo a experiência mundana, e tento manter essa constância na forma com que minhas ações são projetadas.

Dessa forma, não tenho nenhum medo de admitir que não sou uma pessoa boa, mas também não me considero uma pessoa má. Na verdade a única característica que ultimamente coloco como parte da minha personalidade é meu senso de justiça e lealdade. E é através desse senso para com meus próprios objetivos de vida, com as coisas que acredito e que me guiam, que canalizo minhas energias para ajudar alguém ou pra retribuir uma ingratidão, caso veja como necessário ou pertinente.

Eu tenho várias características negativas, assim como também tenho várias características positivas, e conheço todas, pois tive todos esses anos de introspecção e meditação comigo mesmo para conhecer cada pedacinho de cada aspecto da minha personalidade mais aparente, e vários de características mais latentes, mais escondidos atrás de tantas muralhas criadas por mim mesmo para me proteger do mundo, das pessoas, da vida. Algumas dessas características uso rotineiramente e com bastante desenvoltura, outras aparecem ocasionalmente em determinadas situações (stress, felicidade), outras ainda raramente aparecem mas tendem a ser reflexo das minhas defesas internas. E também existem aquelas características que nunca foram postas à prova, mas eu sei que existem, pois eu já criei cenários mentais em que essas características foram, de alguma forma, testadas.

Isso pode parecer errático para as outras pessoas, mas para mim não é. Eu sempre sei o porquê de estar fazendo as coisas, dentro do que conheço à respeito do que estou fazendo. À partir do momento que passei a não mais julgar se algo que estou fazendo foi bom ou ruim para alguém e sim julgar se aquilo merece ser feito ou não segundo o que acredito, eu passei a fazê-lo com mais consistência, com menos dúvidas e, principalmente, com mais fé em mim mesmo.

Saber que fui consistente nessa vida é muito mais importante do que ouvir que fiz o bem para outras pessoas, pois o que os outros pensam sobre mim reflete quem eles são não quem sou eu.

5 de janeiro de 2017

Selflessness

Você já parou para pensar em quantos segredos você guarda sobre as outras pessoas, opiniões sobre eventos e julgamentos de pessoas que se as outras pessoas da sua convivência soubessem disso, te considerariam ingrato, para não falar coisa pior?

Muito já me peguei pensando nisso porque eu sou uma pessoa de opiniões fortes, que julgo cada pessoa que conheço mas que mantém isso em segredo em nome da boa convivência, pois assim eu aprendi desde cedo.

O ponto de tensão nem é esse, sabe, mas a reação ofensiva que a maioria têm quando descobrem as opiniões alheias (as vezes, sobre você até). Muitos inclusive ficam extremamente magoados por saber que a pessoa pensava daquela forma.

Eu realmente não entendo esse segundo comportamento apesar de ser complacente com o primeiro, sabe por quê? Porque todo mundo têm direito a ter opinião própria, e isso é uma coisa que não deveria nos afetar.

Eu levei bastante tempo para assimilar que a opinião alheia não me diz respeito, mesmo que seja um prejulgamento sobre mim mesmo. O máximo que podemos fazer com isso é tentar entender o que de nossas ações causou esse julgo na outra pessoa.

O dia que entendermos isso, talvez acabe a necessidade de termos de manter segredo sobre tantas coisas pois não será mais necessário manter uma disparidade entre o que pensamos e o que externalizamos.

17 de novembro de 2016

Syzygyness

Tudo começa com você acordando. Você não nota nada de diferente no começo mas todas as pessoas estão lhe olhando diferente e você não sabe o porquê. Você vai até o espelho e percebe que você não é você, você é um construto mecânico. E não entendendo o que se passa, você tenta recapitular quando foi que tudo mudou. Será que era porque estava na cama por alguns dias com febre? Será que era por causa daquela visita estranha na noite anterior? E então você nota que todas as pessoas que você conhece estão alguns anos mais velhas, como se 10 anos tivessem passado em um piscar de olhos.

Este foi um sonho que tive há alguns dias, extremamente real e com muito mais detalhes que citei acima. Esse foi só o começo dele, e ele ainda foi muito longe, até um ponto onde finalmente pude entender um questionamento que venho fazendo nos últimos anos sobre o que é essa entidade observadora que existe no fundo de nós.

Essencialmente, o sonho me deu vários insights para os mecanismos que regem a consciência, e depois de muito divagar à respeito, a conclusão que chego é que o que acontece de diferente é o que descreverei abaixo.

Nossa consciência nada mais é do que um fluxo retroalimentado de análises das nossas próprias memórias. Nada mais. Não existe explicação mais complexa ou mística à respeito disso. É só você pensar sobre como seu cérebro sempre usa informações sensoriais e julgamentos tomados para definir o que é nossa personalidade. Na realidade, nós não existimos como entidades, nós existimos como construtos de personalidade baseada nas nossas experiências passadas.

É difícil assimilar isso, e só com uma divagação bastante profunda sobre nossa própria existência que foi possível que eu chegasse à essa conclusão. Essencialmente, somos máquinas biológicas que operam um conjunto de dados em constante mutação.

Isso só me faz lembrar o épico filme chamado Chappie, do cineasta Neill Blomkamp, que nos leva a questionar exatamente isso que chamamos de consciência, daquilo que aparentemente nos torna únicos.

Não se engane, no entanto. Nós continuamos únicos, afinal o maquinário de cada pessoa é ligeiramente diferente uns dos outros, e os conjuntos de memórias e experiências de vida também são diferentes, criando a miríade de identidades projetadas que estamos acostumados a interagir como eu, você, a moça do mercado e o cobrador de ônibus.

O engraçado é que chegar à essa conclusão me trás mais calma do que aflição, como alguns já disseram em um post anterior (Provenanceness) onde eu fiz um questionamento sobre "sua vida mudaria se você se descobrisse uma máquina". Vários de meus amigos falaram que iriam continuar seguindo suas vidas, sem contar as pessoas e evitando pensar nisso novamente. Eu, como disse nesse mesmo post, não conseguiria, eu precisaria explorar essa nova faceta, e de fato é o que venho fazendo desde que me entendo por ser vivo.

Agora, o mais importante na minha visão é como explorar melhor esse conhecimento e como ampliar a minha capacidade de trabalhar esse conceito de personalidade de forma a poder melhorar aspectos da minha vida que precisam ser melhorados.

Não que queira melhorar ou corrigir todos, mas sempre há espaço para melhoramentos, afinal é o que fazemos com uma máquina.

7 de setembro de 2016

Nirvanaless

É engraçado como à medida que o tempo vai passando, a minha vontade de fazer coisas nessa realidade vai diminuindo.

É como se nada tivesse realmente o gostinho que eu esperaria ter, não sei se é devido à minha consciência de que a estadia aqui é passageira e, no final, nada que fizer vai servir pra algo ou se é pura e simples depressão.

O fato é que eu olho pra tudo e nada parece real. Será que, se existir outro lado, será assim também?

Lá, no fim de tudo, um dia vou descobrir. Ou não.

23 de julho de 2016

Fifteenless

15 coisas que eu falaria pro Eduardo de 15 anos atrás (TL;DR):

1: Fura logo essa orelha.

2: Tente ser menos esforçado, você só quer que as pessoas te notem.

3: Sabe o Toy, o Poodle, ele só quer atenção, como você. Vocês se odeiam porque vocês são muito parecidos um com o outro. Leve ele pra passear também, ele vai gostar.

4: Sabe os poucos amigos que você tem? Olhe em volta deles e você vai ver que seus verdadeiros amigos são aqueles que você ignorou todo o ensino médio.

5: Bixa, não tem nada de mal em gostar de meninos em vez de meninas viu! Esquece aquele episódio homofóbico que você presenciou na quinta série! E vou te dizer, é ótimo ser viado tá!

6: Não tenha medo de assumir que você não acredita mais em religião nenhuma! Isso vai lhe poupar muita dor de cabeça futura. Divirta-se mais pois você já sabe, lá no fundo, que a única
certeza que temos nessa vida é de que temos essa vida para viver. Todo o resto é especulação.

7: Saia da biblioteca um pouquinho só, na hora do intervalo da aula. Socializar é algo que só assusta no começo. Outra coisa, brincar sozinho é legal, mas tente brincar mais com outras pessoas. No final você vai ver que você se diverte muito mais.

8: Bee, a senhora já é uma mentirosa profissional (por esconder que é gay, ateu e que joga fliperama escondido quando sai mais cedo da aula)! O que custa fingir que está gostando das festividades em família? Ninguém vai perceber! Só sorria e acene.

9: Escreva um diário. Não é coisa de menina não e você se agradecerá por anos a fio por poder olhar pra si mesmo no passado e ver como você mudou.

10: Seus professores não são carrascos, eles vêem em você o potencial que você tem e tentam te mostrar exatamente isso. Lutar contra eles, tentando provar que eles podem errar, não facilita muito as coisas viu! Todo mundo erra, até você (tapa na cara)!

11: Sabe o professor de Karatê? Não demore 2 anos pra dar pra ele. Vocês dois já sabem o que querem e esses treinos extras só são pra um ficar sozinho com o outro, admita pra si mesmo!

12: Você sente falta do seu avô, não é mesmo? Porque você não vai lá e fala com sua avó sobre isso, ela também sente muita falta dele e, assim como você, ela não admite se mostrar frágil para o mundo.

13: Sua mãe te ama como ninguém nesse mundo. Ela precisa ouvir de você que você a ama como ninguém nesse mundo, pois a decisão que ela tomou de te deixar com seus avós é como uma navalha no coração dela, mas foi para que você tivesse o melhor desse mundo! E você tem!

14: Aproveita que você gosta tanto de andar de bicicleta e vá conhecer as cachoeiras ocultas de Jataí. Você gosta de se aventurar que eu sei, e tem vários lugares secretos lindos perto da sua casa que você não teve a chance de conhecer.

15: (Tapa na cara) Lembre-se: NINGUÉM SE IMPORTA! Ninguém se importa com quem você é! Ninguém se importa com o que você acredita! Ninguém se importa com o que você gosta! Algumas pessoas sim, mas elas estão tentando te ensinar exatamente isso que estou te falando (outro tapa na cara)! Então, seja menos auto-crítico de si mesmo e você vai ver como isso simplifica tudo, de verdade!

...

Obrigado Danuta Duarte pelo número que você me deu, deu vários nós na garganta escrever isso daqui.

14 de julho de 2016

5 de junho de 2016

Nineteenless

Aceitando o desafio dos 19 fatos sobre mim que o lindom do Thiago Cruz me propôs, vamos agora traumatizar vocês:

1) Sou casado com o homem mais lindo e maravilhoso desse mundo (Tiw Brás Rolim). E nossa primeira vez, primeiro porre e minha primeira peruca e salto scarpin vermelho aconteceu no mesmo dia, em que ambos estávamos naquela bad pós crush e o morr fez caipiroskas e ficamos muito bêbados e felizes;

2) Eu tenho um diário, que atualizo ocasionalmente, onde escrevo coisas para eu ler no futuro e nunca esquecer quem eu já fui, que eu falo as coisas sem nenhum bloqueio social e onde posso destilar meus sentimentos mais internos, sejam eles bonitos ou não;

3) Eu sei fazer a técnica de sonhos lúcidos e sempre que fico consciente em um sonho, a primeira coisa que faço é voar;

4) Durante muitos anos eu tive uma compulsão patológica por mentir, e depois de me assumir gay publicamente (e ter feito um tratamento psicológico) eu consegui controlar isso. Hoje ser exagerado, dramático e hiperbólico foi a forma que encontrei de usar essa energia em algo que não faz mal a ninguém;

5) Adoro jogar Magic, mas atualmente morro de preguiça de jogar. Mas continuo adorando Magic;

6) Tenho um problema sério com jogos de videogame com mundo aberto: não consigo terminá-los pois tenho uma necessidade visceral de fazer TODAS as side quests antes de fazer a história principal;

7) Leio Senhor dos Anéis todos os anos desde 1996 e o Silmarillion desde 1999;

8) Não suporto Harry Potter, já tentei ler várias vezes e até pulei livros pra ver se eu conseguia gostar da história mas não consigo. Também odeio os seriados Dr Who e House, pois não sou obrigada a dar explicações sobre meus gostos;

9) Eu tenho uma criatividade que beira o absurdo, só que eu não consigo botar essa criatividade pra fora pois tenho muita preguiça de ordenar essas histórias e pensamentos em algo que eu possa escrever no papel;

10) Eu inverto os gêneros nas frases e trato homens no feminino e mulheres no masculino porque estamos em uma era em que eu falo do jeito que eu quiser e um beijo pra vocês;

11) Amo de paixão jogar RPG mas ao exemplo de Magic, não tenho mais energias pra jogar;

12) Adoro ficar vendo outras pessoas jogando videogame;

13) Sou o pior tipo de companhia para cinema: sou o comentarista de cenas;

14) A primeira linguagem de programação que aprendi foi Pascal. Só fui aprender C em 2010;

15) Troco qualquer programa por poder ficar em uma piscina ou cachoeira, de molho, como se não houvesse amanhã;

16) Tenho pânico de peixes e quando tomo banho de rio aqueles peixinhos pequenos me deixam tenso o tempo todo;

17) Curitiba é a terceira cidade em que eu moro na minha vida. A primeira é Jataí/GO e a segunda Palmas/TO;

18) Eu começo projetos de desenvolvimento de software diversos que acabo nunca terminando;

19) Meu super-poder é a preguiça. Na verdade eu devo ser o Avatar da Preguica e estou aqui para espalhar a morga e a vontade de dormir entre os humanos;

20 - extra porque eu quero) Eu não acredito em divindades nem em vida após à morte. No entanto, eu acredito que possam existir realidades alem da nossa (com seus moradores) e acredito que um dia o ser humano vai conseguir entender a máquina cerebral e inventar um método de fazer o download daquilo que nôs faz humanos e sencientes, em outra máquina.

Se você quiser participar, bote um emoji nos comentários que te dou um número, que será a quantidade de fatos que vc terá de revelar. E não esqueça de me marcar na sua publicação para que eu possa acompanhar tb! Bejas!

22 de maio de 2016

Rediceless

Então você vê nas fotos do instagram dos amigos que o maior crush da sua vida dos 16 aos 23 acabou de casar e os dois estavam lindos.

Queria eu estar no lugar dela? Sim. Mas esses são outros tempos e essas águas já passaram há muito tempo.

Dentre as lembranças que tive desse crush, me peguei lembrando de conversas animadas com ele em seu quarto, falando de rpg ou de qualquer outro assunto tão empolgante quanto.

Bom, que seja muito feliz em seu casamento, de verdade.

Pra quem quer conhecer a história toda, pode ver o post Diceless.

Adendo: Segundo a Notação Internacional de Crush, ele possui as características Bonito, Sexy, Inteligente e Engraçado, totalizando um total de todas as características crushescas conhecidas.

28 de março de 2016

Noneless

Hoje amanheci com uma vontade de escrever qualquer coisa sem sentido, sem rumo, sem saber onde vou chegar com esse texto, sem nenhum objetivo específico.

É engraçado quando você para para pensar em você, no mundo, nas suas descobertas e nas suas escolhas, tanto de vida quanto de crença (ou não-crença). Eu gosto de divagar de vez em quando sobre a vida, e no ônibus hoje eu me peguei aéreo, tocando o vidro do bus e sentindo sua textura, e digerindo mais uma vez o fato de que um dia isso tudo que eu absorvo vai desaparecer e talz.

Não que isso me deixe triste, de maneira nenhuma! Sabe quando sua maior vontade é de chegar naquele momento que todo mundo têm medo, olhar pra trás, ver tudo o que você fez e encarar o fim da aventura com um sorriso no rosto e uma lágrima nos olhos?

Sorriso no rosto por saber que, assim como tudo no mundo, sua participação no mundo chegou ao fim e, independente do que te espera do outro lado, você se sente realizado com tudo que viveu.

E uma lágrima nos olhos por já começar a sentir saudade disso tudo, de toda essa dificuldade, de todos esses momentos, de todas as memórias, de todas as sensações, cheiros, toques, músicas, e imagens que você colecionou em todos esses anos.

É como fazer uma viagem para um lugar qualquer, sabendo que é provavelmente a última vez que você vai ver aquele lugar que você aprendeu a amar, admirar, independente de todos os defeitos que posam nesse lugar, pois são eles que, por mais que não pareça, tornam o lugar incrível de se vivenciar.

E então, vêm finalmente a viagem, a transferência, a morte, não importa como se chama. O que importa é que vale a pena sentir cada milímetro desse mundo, na alegria e na tristeza, no ódio ou na depressão. Cada experiência conta. E mesmo que tudo isso seja em vão, e que o esquecimento nos aguarde no final, vale a pena saber que, até o último momento, é o momento e a experiência que mais contam.

29 de fevereiro de 2016

Heartless

Aquele momento que você não sabe o que escrever porque tem sentimentos conflitantes sobre o assunto, mas vamos lá, pois é preciso externalizar isso de alguns forma.

Primeiramente, eu queria entender porque sinto esse conflito em relação a meu pai. O fantasma sempre aparece quando vejo fotos do meu pai se divertindo com o neto, áudios no grupo da família, etc...

Sempre reclamei da sua ausência secretamente e de certa forma sempre tive essa sensação, que só consigo descrever no momento com a palavra em inglês "upset". Mas ultimamente eu tenho visto ele cuidando do neto como eu esperaria que ele tivesse cuidado de mim, e isso têm uma capacidade incrível de me desarmar por completo!

Eu sou ciente de minhas emoções o suficiente para entender as raizes desse sentimento conflitante, mas nada disso me tira o peso dessa sensação de que eu queria que tivesse sido comigo. Eu tive meu avô e minha avó e pelos anos em que vivemos juntos, eu me senti conectado a algo. Mas depois que meu avô se foi, eu me senti compelido a enterrar esse sentimento, que passei a considerar supérfluo, pois agora eu tinha que cuidar da minha avó, e esse sentimento perdura até hoje.

Admito que ver meu pai consertando com o neto o que não é mais possível reparar entre a gente me deixa feliz por ele. Ele está se redimindo consigo mesmo e isso é notório na felicidade que ele vem transparecendo ultimamente. Infelizmente não acredito que seja possível, para mim, me reconectar a esse sentimento, pois exige de mim abrir mão da proteção que criei pra suportar a ausência.

Não estou pronto para deixar cair a ultima defesa, o nemesis da minha existência, pois é esse nêmesis que me protegeu no começo e que hoje me faz forte, que me faz racional, e principalmente, quem mantém minhas emoções sob controle.

A resposta pra isso é simples ao extremo: É puro e simples ciúme, por alguém ter o que eu não tive, por ter o que desejei ter por anos a fio e que, no fim, foi enterrado por questões de sobrevivência.

Não espero que isso mude com o tempo, pois eu não quero mais que mude. O tempo que passou, passou e não volta mais. Só me resta recuperar ocasionalmente pedaços de sentimentos perdidos no passado e trazer à tona, pra entender quem eu sou, quem eu me tornei e quem eu irei ser no futuro.